Hoje fui à primeira reunião de pais da nova escola do Matheus. Novamente tive que experimentar a angústia que sinto quando, nessas ocasiões, tenho de lidar com algo que tanto me incomoda como mãe, como professora e me incomodou no passado quando ainda era filha: a ausência de um grande número de pais.
Fico lamentando porque isso significa que para muitos ir a essas reuniões é perda de tempo. O problema é que para os filhos sempre é preciso ter tempo, se não é para ser assim, por que trazê-los ao mundo? Para entregá-los aos cuidados de outros, seja dos avós, das babás ou da escola?!
Talvez esteja sendo, para muitos, radical demais. Podem estar pensando que para essa falta deve haver uma boa justificativa. Não estou e nem quero julgar ninguém. O problema é que essa ausência repercute em toda uma vida na escola e fora dela. Quantos alunos tive que viviam com todo o conforto que o dinheiro pode proporcionar mas carentes de amor, afeto, carinho e atenção.
Conheço bem essa história. Meus pais sempre trabalharam muito. Meu pai, um guerreiro que conseguiu vencer na vida com o suor do seu trabalho, e que nunca frequentou uma sala de aula jamais foi capaz de compreender o valor dos estudos que em seu caso não fizeram falta. Minha mãe, sempre trabalhando e marcada pela infância sem a presença da mãe que lhe deixou marcas profundas e que muitas vezes a impossibilitaram de fazer além do que suas forças permitiam. Hoje compreendo o quanto eles me amam, não da forma como sonhava, principalmente na adolescência, mas da forma deles, mas gostaria de ter outras recordações da minha vida escolar.
Gostaria que eles tivesse participado mais e feito isso com alegria e entusiasmo. Que comemorassem minhas vitórias, mesmo que pequenas e me ajudassem a superar as derrotas me fazendo entender que acertando ou errando eu continuaria sendo a filha amada. Que fossem às festividades, conhecessem meus amigos, meu problemas, minhas angústias, meus medos e dificuldades. Não se enganem, não há como fazer isso sem participar da vida escolar de um filho, afinal é lá que as crianças passam grande parte do seu tempo. Há professoras que conhecem as crianças de sua sala de aula tão bem, ou às vezes melhor, do que os pais dessa criança. Não é preciso que seja assim, a minha história, a da minha mãe, do meu pai e de tantos outros, que de uma forma ou de outra foram vítimas da falta de importância que se dá à parceira escola-família, sofram com essa apatia e falta de sensibilidade. Esse carinho precisa existir não só na ida ao colégio, mas também dentro de casa, nos passeios, nas conversas...afinal, é tão bom nos sentirmos amados e admirados pelas pessoas que amamos, não é?! Todos deveríamos praticar com mais frequência o que a regra de ouro nos ensina na Bíblia "façam com os outros como gostariam que fizessem com você!"
Não se enganem, as crianças percebem muito mais do que podemos supor ou imaginar. Quando vemos é, em muitos casos, tarde demais. Precisamos plantar hoje, boas sementes, se quisermos colher bons frutos amanhã.


Sí , o pai teve infância tipo "2 filhos de francisco" só que sem a música =O
ResponderExcluirMami é uma das pessoas com mais empatia que já vi, mais que ela só a tia Cícera mesmo *_*